No Dia Mundial do Oceano, assinalado a 8 de junho, a Organização das Nações Unidas (ONU) lança oficialmente, em Nova Iorque, o 3.º Relatório Global sobre a Avaliação do Estado do Oceano (Third World Ocean Assessment – WOA III), o mais recente e abrangente exercício de avaliação integrada do estado do oceano a nível mundial.
O WOA III constitui uma referência fundamental para apoiar políticas públicas e estratégias de gestão sustentável do oceano, num momento em que os desafios associados às alterações climáticas, à perda de biodiversidade e à utilização dos recursos marinhos exigem respostas cada vez mais informadas e integradas.
Este relatório reforça a necessidade de investir em monitorização de longo prazo e em políticas de conservação baseadas na melhor evidência científica disponível, para garantir a proteção da biodiversidade marinha e a sustentabilidade do oceano".
Maria Dias, investigadora do CE3C e coordenadora do capítulo dedicado às aves marinhas.
Aprovado por 190 países em dezembro de 2025, durante uma reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, o WOA III reúne o contributo de 580 peritos de 86 países e está organizado em 60 capítulos. O documento apresenta uma avaliação abrangente do estado do oceano à escala global, abordando temas como a governança oceânica, as pressões humanas sobre os ecossistemas marinhos, a sustentabilidade dos recursos, as alterações ambientais em curso e o papel dos dados científicos na tomada de decisão.
O Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C) participou neste importante esforço internacional através dos investigadores Maria Dias, e Martin Beal, que integraram a equipa responsável pelo capítulo dedicado às aves marinhas. Maria Dias coordenou este capítulo, reunindo contributos de cientistas e conservacionistas de vários países.
As aves marinhas são excelentes indicadores da saúde dos ecossistemas marinhos, refletindo as alterações que ocorrem ao longo da cadeia alimentar e no ambiente oceânico. O trabalho desenvolvido no âmbito do WOA III evidencia que este continua a ser um dos grupos de espécies mais ameaçados a nível global, com 31% das espécies em risco de extinção e 57% a apresentar tendências populacionais decrescentes".
Maria Dias
Apesar dos avanços no conhecimento, muitas populações continuam sob pressão devido a ameaças persistentes como as capturas acidentais na pesca e as espécies invasoras, a que se somam agora desafios emergentes como os surtos de gripe aviária, a poluição luminosa e o desenvolvimento de parques eólicos offshore".
Maria Dias
O relatório aborda também a estratégia One Health, reconhecendo as interligações entre a saúde do oceano, a saúde humana e o bem-estar das sociedades. Questões como a igualdade de género, equidade, participação das comunidades locais e os impactos da pandemia da COVID-19 são também consideradas nesta avaliação multidisciplinar.
A divulgação deste relatório é acompanhada pelo lançamento de uma nova plataforma digital que disponibilizará os dados e a informação produzidos ao longo desta avaliação global, reforçando o acesso ao conhecimento científico sobre o oceano.
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